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domingo, agosto 16, 2026

CAPITAL AIRLINES

LPPT - CAPITAL AIRLINES - A330-200 - B8981

(Lisboa) Passam já muitos minutos das seis da manhã num sábado de verão, mas a Segunda Circular está com muito movimento, ouvem-se conversas cortadas que fogem pelos vidros abertos e carros a passar com alguma velocidade. No meio do mato estão alguns exploradores da natureza, são observadores de pássaros de metal. Hoje o protagonista é o Airbus A330-200 de matrícula B-8981, da Capital Airlines.

sábado, agosto 01, 2026

TAAG

TAAG - BOEING 787-10 DREAMLINER - LPPT

(Lisboa) A 18 de julho de 2026 a TAAG, de Angola, estreou e estrelou um dos seus dois Boeings 787-10 no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. Este é o D2-TET, um avião novo, entregue há menos de um ano mas com um conta quilómetros com número mais alto que muitos carros mais velhos por aí.

Eram umas sete da manhã. Na segunda circular, no meio do mato, junto com outros lobos solitários com a mesma intenção, com os carros a passar ali ao lado, ouvem-se vozes e conversas cortadas. 

terça-feira, julho 14, 2026

250

UNITED AIRLINES - N91007 - LPPT - BOEING 787-10

(Lisboa) A United Airlines juntou-se à celebração dos 250 anos da Declaração de Independência dos Estados Unidos da América com uma pintura especial em dois dos seus aviões. Este é um deles, o Boeing 787-10 de registo N91007. O outro é um dos seus teco-tecos, um Boeing 737, usado nos voos domésticos.

Na passada sexta-feira, enquanto eu estava a dormir, ele atravessava o Atlântico. Devia estar a sonhar com ele, tinha-o seguido a semana toda, sabia onde ele estava todos os dias. Passou por Los Angeles, Tóquio, Bruxelas, Atenas, Chicago, Lisboa e aqui foi apanhado a regressar a Lisboa vindo de Nova Iorque. Dá vontade de dizer, leva-me contigo.

A Declaração de Independência dos Estados Unidos terá sido celebrada com Vinho Madeira, um vinho vindo do outro lado do Atlântico diziam, os declarantes gostavam muito deste vinho. Poderiam ter enviado este 787 para o Funchal, por estes dias, para assinalar a data. O voo da United para o Funchal costuma ser assegurado por um Boeing 737.

Referências:
[1] - https://www.flightradar24.com/blog/flight-tracking-news/special-aircraft-tracking/united-adds-two-stars-and-stripes-special-livery-aircraft/
[2] - https://madeira.rtp.pt/politica/documento-fundador-dos-eua-foi-celebrado-com-vinho-madeira-audio/

sábado, junho 13, 2026

CS-TUM

CS-TUM - A330-900neo - LPPT - NUNO ÁLVARES PEREIRA

CS-TUM - A330-900neo - LPPT - NUNO ÁLVARES PEREIRA

(Lisboa) Ainda não tinha na minha caderneta de cromos o CS-TUM, equipamento em que a TAP homenageia Nuno Álvares Pereira e que também escolheu comemorar a presença de Portugal no Campeonato do Mundo de Futebol 2026. Foi para isso que lá fui, para ver o avião.

Há outro com as mesmas pinturas, é o CS-TUJ, o D. Maria II. É sempre bom ter uma reserva.

Falar de aviões é difícil porque o avião é um ser que gosta de viver nas alturas e não fala com qualquer um como eu. Estão sempre impacientes para ir embora para outro lado qualquer, deve ser também por isso que me atraem tanto. São secos, não riem para ti, não te cumprimentam, por isso precisam da ajuda da tripulação, mas houve um que um dia disse-me «Se queres ajudar-me entra, aperta o cinto e fica quieto».

Fui ver o A330-900neo. Coisas interessantes sobre este modelo: segundo o site da TAP pode transportar 298 passageiros e tem um alcance de 12 000 km. Mas depois começa a complicar e isso não vem explicado, porque se levar a carga máxima já não dá para ir até ao final desses 12 000 km de uma vez, é preciso parar na estação de serviço para meter gasolina.

O Nuno Álvares Pereira foi para Palm Beach International, deve ser um sítio bom para se estar, um sítio que tem praia no nome só pode ser bom e levava jogadores de futebol para participar num dos maiores eventos do Mundo. Só posso desejar boa viagem e felicidades, eu sei que é pouco, mas como se costuma dizer, é de coração.

Última nota, a imagem seguinte foi captada no regresso de Miami, no dia seguinte (hoje).

CS-TUM - A330-900neo - LPPT - NUNO ÁLVARES PEREIRA


domingo, novembro 30, 2025

RAFAEL BORDALO PINHEIRO

CS-TNT - LPPT - TAP PORTUGAL - A320

(Lisboa) Missão definida: ver o A350 da Qatar. Eles têm tantos A350 que devem aproveitar todas as promoções da Airbus, do tipo “compre 30 e pague 20”, ou “não perca, tudo o que estiver neste hangar de Toulouse por 100 cada um”, ou um pack família "leve um A350, um A330, um A321 e oferecemos o A319". Uma espécie de Black Friday para companhias aéreas. No entanto, o nevoeiro, essa criatura que tanto atormentou os navegadores das Descobertas, dramático e daqueles que só gostam de aparecer, teve o seu ápice exatamente na hora em que a estrela ia sair.

Quem salvou o dia foi o CS-TNT, com o nome Rafael Bordalo Pinheiro, um dos A320 da TAP que anda nas bocas do mundo por causa das célebres atualizações do software do ELAC. Aterragem impecável, se fosse no basquete era um cesto sem espinhas.

E quando passou por mim acenou! Era mesmo para mim. Olhei para os lados para confirmar e, não, não estava ali mais ninguém. À esquerda, o comandante, à direita, o primeiro oficial. O comandante mandou um cumprimento simpático. Eu, o único spotter em Figo Maduro naquela fria manhã de novembro, agradeço.

Bom descanso e obrigado, Rafael Bordalo Pinheiro, ou como se diz no Brasil, "valeu"!

sábado, novembro 22, 2025

MANUEL CARGALEIRO

Airbus - A320-251N - CS-TVN - TAP - LPPT

(Lisboa) 
A descolar de Lisboa, soberbo, o Airbus A320-251N, CS-TVN, da TAP, com o nome de Manuel Cargaleiro que nos deixou em 2024. Com os pincéis da TAP, continua a pintar os nossos céus todos os dias.

Captado a cerca de 280 metros de distância, na imagem está em processo de elegante recolha dos seus trens de aterragem ou trens de pouso, como se diz no Brasil. Em Portugal aterra-se, no Brasil pousa-se. Diz o dicionário da Priberam sobre eles: «estrutura que suporta as rodas de uma aeronave e que permite a operação da aeronave no solo». Trens de aterragem são o equivalente aos nossos pés, e como são importantes os nossos pés, quem tem pés tem tudo. 

Boa viagem Manuel Cargaleiro!

sábado, novembro 08, 2025

CARACAS

Airbus A330-941 - CS-TUG - LPPT

(Lisboa) Dizem que são precisos sete anos para se fazer uma amizade. Outras fontes garantem que bastam duzentas horas de “tempo de qualidade”, seja lá o que isso for, para se chegar a essa categoria muito especial. Coisas que se lê por aí, sem grande rigor científico, mas é sempre bom dar um ar de quem estudou o assunto a fundo.

A isto eu respondo, há pessoas que eu conheço há sete anos ou mais que preferia não ter conhecido e outras que conheci há pouco e que gostaria que um dia passassem o exame duro e rigoroso que a categoria de amigo exige.

O que eu sei é que, dentro de um avião, sentado durante muitas horas, há sempre um amigo do assento do lado. Conta-se ou ouve-se o que só os amigos mais próximos sabem, o avião é um confessionário pressurizado a 33 mil pés, sem testemunhas, sem julgamentos, nem consequências, só troca de experiências. Somos uma espécie de companheiros de cela, a vida, injusta ou não, juntou-nos neste espaço escasso.

E, quando o piloto anuncia “tripulação, portas em posição disarmed”, o que significa que já se podem abrir as portas sem que seja disparado um escorrega de festa de aniversário cheio de ar amarelo, esse amigo evapora-se. Nunca mais o vemos, nem sequer nos lembramos bem da cara. Fica apenas a lembrança de ter partilhado aqueles momentos, o espaço e, talvez, um cartão de visita que irá ser perdido nas próximas horas ou servir de marcador de livro de ocasião.

Agora lembrei-me de um deles: uma professora primária natural da Venezuela, ponto importante, também gosta de correr, toda fit. Contava ela que gostava de ensinar, das crianças, mas fartou-se de giz e reuniões pedagógicas aborrecidas mas sobretudo de contar dinheiro todos os meses. Agora é gestora de hotéis nos arredores de Londres. Nada a ver com educação, mas ganha muito melhor e isso não nos faz mais felizes necessariamente mas dá-nos mais opções de vida, não a critico, também é importante.

A senhora era de Caracas, é precisamente para lá que segue o avião da imagem de hoje, a capital da Venezuela. Fotografado de Figo Maduro que para efeitos práticos é o Aeroporto de Lisboa, este é o Airbus A330-900neo de matrícula CS-TUG e nome Pedro Álvares Cabral. Boa viagem Pedro Álvares Cabral.

Airbus A330-941 - CS-TUG - LPPT


sábado, novembro 01, 2025

LATAM

LPPT - LATAM - BOEING 777 ER

(Lisboa) O PT-MUG, Boeing 777-300ER da LATAM, deixou Lisboa esta manhã como um artista. A pista molhada serviu-lhe de palco e o spray de água transformou-se em fumo de espetáculo, com os dois motores a berrar na força máxima. Se os motores tivessem consciência estariam provavelmente a pensar: “olhem bem para mim”. Partiu para São Paulo depois do clear for takeoff. Eu estava sozinho a assistir a este espetáculo, será que os outros spotters tiveram medo da chuva que cai por estes dias nesta cidade? Senti os aplausos. Obrigado pelo momento. Isto é que se chama sair com estilo: usar quase toda a pista e despedir-se assim, em grande, como só os gigantes sabem fazer.

sábado, outubro 11, 2025

SPOTTING


(Lisboa) Três ou quatro spotters, lado a lado, cada um com a sua teleobjetiva apontada para o mesmo alvo, invisível desta perspectiva. Há mais, dispersos pela colina e ao longo da vedação, é o seu ecossistema natural. Esta é também a nossa igreja, com missa ao ar livre mas sem homilia aborrecida. Os aviões são os nossos deuses, desculpem-me os crentes, mas com muito respeito, sempre. É isto que nos une, pelo menos nestes momentos, pessoas tão diferentes, vindas de mundos distantes, que se encontram sempre nos mesmos sítios, guiadas apenas pelo som dos motores e pelo cheiro a gasolina de avião, uma espécie de incenso relaxante.

Há quem venha com câmaras topo de gama, objetivas que custam o equivalente a um carro usado e há quem esteja ali com um simples telemóvel. Simples é maneira de dizer, porque hoje um telemóvel faz mais do que os computadores da NASA faziam, quando mandou as missões à Lua, mas não interessa o equipamento, o que interessa é a paixão. Essa sim, é autêntica, intensa e irracional, afinal de contas é uma paixão.

Durante aqueles minutos de disparos, todos respiramos ao mesmo ritmo, olhos colados aos pássaros de metal. É uma paixão que se consome rápido, mais rápida que um romance num concerto dos Coldplay: intensa, breve, sem promessas para o futuro. Depois, cada um vai à sua vida, edita as suas fotos, publica ou não, e nada disto aconteceu, fica um segredo só nosso, ninguém precisa de saber.

domingo, agosto 10, 2025

A321

CS-TXC,TAP Air Portugal, A321neo XLR, D-AIDT, Eurowings, A321-231, LPPT

(Lisboa) A objetiva registou no Aeroporto Humberto Delgado (LPPT) um encontro interessante entre dois Airbus A321.

O CS-TXC, da TAP Air Portugal, é um A321neo XLR, batizado com o nome de Pêro da Covilhã. Representa a mais recente evolução da família A321, com alcance estendido que permite voos transatlânticos diretos e maior eficiência de combustível.

Ao seu lado, o D-AIDT, da Eurowings, um A321-231, integra uma geração anterior, concebida para voos de médio curso.

CS-TXC,TAP Air Portugal, A321neo XLR, D-AIDT, Eurowings, A321-231, LPPT

domingo, julho 27, 2025

E AGORA VOU-ME EMBORA PARA ANGOLA...

Boeing 777-300ER - D2-TEJ - Aeroporto de Lisboa - LPPT

(Lisboa) Nos anos 80 do século passado ouvia muito um disco de vinil: a história do macaco com o rabo cortado. Lá em casa tínhamos um velho gira-discos, sem tampa, já com sinais do tempo. Era sempre o meu pai que colocava os discos, com um cuidado preciso, quase solene, como se fosse uma operação técnica delicada.

Esse disco, em particular, tinha duas histórias. De um lado, a do macaco do rabo cortado, do outro, a clássica história da Carochinha. Não sei qual o lado que ouvia mais. A história do macaco era repetitiva, absurda e divertida, cheia de personagens parecidas com alguma coisa que já tinha encontrado mas improváveis, perfeita para a mente de uma criança. Mas o que nunca esqueci foi o final da história quando o macaco cantava: “E agora, vou-me embora para Angola.”

A fotografia que acompanha este texto mostra o Boeing 777-300ER, matrícula D2-TEJ, registada no Aeroporto de Lisboa, Aeroporto Humberto Delgado. É um avião de longo curso, com um raio de ação de 14 316 km, e chama-se “Iona”, uma referência ao Parque Nacional do Iona, no sul de Angola, na província do Namibe, uma das maiores áreas protegidas do país.

Ao ver este Boeing da TAAG, quase que oiço outra vez a voz do macaco a dizer “E agora, vou-me embora para Angola.” Só que desta vez, não é o macaco, é o avião.

Boeing 777-300ER - D2-TEJ - Aeroporto de Lisboa - LPPT



domingo, julho 13, 2025

A321 NEO


(Lisboa) Hoje publico pela primeira vez aqui no blogue uma foto de um Airbus A321neo long range da TAP Air Portugal, é o CS-TXJ, batizado com o nome Bartolomeu de Gusmão, uma das figuras mais curiosas da história da ciência e da aviação, conhecido por idealizar a “Passarola”, uma das primeiras propostas de voo mais leve que o ar.

A TAP utiliza os seus A321neo em rotas de médio e longo curso, sendo esta uma das vantagens deste modelo: autonomia suficiente para cruzar o Atlântico, para voos como Lisboa–Toronto ou Lisboa–Belém, usado também em rotas europeias.

O CS-TXJ entrou na frota da TAP em abril de 2022, de acordo com o sítio airfleets.net. Nesta imagem preparava-se para aterrar no Aeroporto Humberto Delgado.

sábado, julho 05, 2025

CADERNETA DE CROMOS

Airbus A300 - MSN 770 - D-AZML

(Lisboa) Há ideias que nascem de perguntas simples. Esta surgiu-me depois de algumas sessões de spotting, daquelas em que o céu se transforma num palco de surpresas. Gosto de saber o que vem mas às vezes, muitas vezes, gosto da surpresa. Ver surgir vindo não sei de onde um A320 com pintura de décadas antigas, um 737 com uma cauda invulgar com a figura de um pintor ou um artista conhecido, um Embraer com nome da minha terra. Todos diferentes, todos únicos. Os aviões são mesmo todos diferentes. E então pensei: e se existisse um álbum de cromos com aviões? Na verdade eu não sei se existe, se calhar existe. Nunca vi essas cadernetas a serem distribuídas à porta da escola dos meus filhos, ou expostas no supermercado. Uma caderneta onde estivessem, por exemplo, todos os aviões da TAP, os novos, os antigos, todos, desde o arranque da companhia, há dezenas de anos atrás. Estarão esses aviões todos fotografados? Mesmo os mais antigos?

A aviação não é feita de repetições. Por muito que vejamos o mesmo avião todos os dias, há sempre um detalhe que o distingue, a matrícula que também muda se mudar de dono, o nome, o esquema de pintura, a companhia, a história por trás, os seus últimos destinos, para onde vai a seguir. Uns são estrelas internacionais, outros figuras quase anónimas a cruzar o céu. Mas todos têm direito ao seu lugar na coleção.
 
Lembro-me mais ou menos bem de uma coleção que fiz nos anos 80. A caderneta tinha o nome de “Maravilhas do Mundo Automóvel”. Tinha um Ferrari vermelho na capa, uma marca que nem todos podem ambicionar ter mas isto de ter e poder ter é tudo muito relativo, há quem tenha sem poder ter e há quem possa e não queira ter. Cada pacotinho de cromos custava 25 escudos na altura e trazia quatro ou cinco cromos, brilhantes, de carros de todos os tipos. A caderneta estava dividida por categorias e a meio do livro, como uma surpresa especial, vinham páginas com alguns circuitos de corridas: Estoril (em Portugal), Interlagos (no Brasil), Monza (na Itália), Spa-Francorchamps (na Bélgica), Nürburgring (na Alemanha), Indianapolis (esta última não era da Fórmula 1, mas aparecia, talvez pelo fascínio da oval americana).

Foi a minha primeira coleção a sério. E como em todas as coleções, havia sempre os repetidos que se vão acumulando. Fiquei com uma caixa cheia de cromos que nunca consegui trocar. Nem sequer sei se alguma vez consegui trocar algum, não me lembro, acho que nenhum colega meu fazia coleção, aquela coleção. Lembro-me até de alguns números que vinham vezes sem conta. Era quase frustrante, ter muitos de uns e nada de outros, mas ao mesmo tempo fazia parte do jogo. A magia estava lá: abrir o pacotinho, a expectativa de encontrar o que ainda não tinha, a alegria de colar um novo cromo no lugar certo.

A minha mãe, que me dava o dinheiro para comprar esses pacotes, achava aquilo um desperdício, nunca me disse isso mas eu sabia que ela achava isso. Nunca percebeu muito bem o fascínio. E eu também não sabia explicar. Só sabia que aquilo me fazia feliz, preencher a caderneta, ambicionar pelos que faltam que ficavam cada dia mais valiosos.

Hoje, quando compro cromos para os meus filhos, sejam de futebol, ou de outro tema percebo tudo. Percebo que não é só colar autocolantes. É criar memórias. É aprender nomes, geografia, histórias. É fazer parte de algo maior. E sim, é uma lição de persistência, de troca, de frustração e recompensa.

Na altura não havia redes sociais, nem grupos de trocas no Facebook como há agora. Muito mais fácil completar as coleções hoje em dia do que no final dos anos 80 do século XX. Trocar cromos era uma arte presencial, quase tribal. Acontecia no recreio da escola, com os colegas, e pouco mais. O que se conseguia, conseguia-se ali. E talvez por isso, cada cromo colado tinha valor.
 
O Avião de hoje, da DHL, tem quase trinta anos. É um Airbus A300, MSN 770, de matrícula D-AZML. Presta homenagem à Capital Europeia da Cultura 2025, Chemnitz. Estava a aterrar em Lisboa.
 
Referências:
 

domingo, junho 29, 2025

SE O AVIÃO PUDESSE FALAR

737-8MAX 200 - SP-RZG - LPPT - BUZZ
MATRÍCULA: SP-RZG
COMPANHIA: BUZZ
AVIÃO: BOEING 737 MAX 8-200
 
(Lisboa) Se o Boeing 737 MAX 8 da BUZZ tivesse consciência, ouvisse, falasse, como seria? Poderia ser convidado a escrever um pequeno texto para este sítio. Poderia começar assim: olá, eu sou o BUZZ. Sou um desses gigantes de metal que cortam os céus todos os dias, muitas vezes sem que reparem muito em nós. Passo por cima de cidades, montanhas, florestas, rios, lagos e mares… E mesmo assim, a maior parte das pessoas nem repara que eu existo.

Mas se eu pudesse falar, tinha tanta coisa para contar…

Levo centenas de pessoas no meu interior, famílias, executivos, crianças a caminho das férias, casais em lua-de-mel, turistas curiosos, quem parte de vez e quem só vai por uns dias. Durante algumas horas, todos eles ficam juntos, lado a lado, partilhando silêncios, conversas tímidas, sorrisos, olhares pela janela ou, às vezes, uma lágrima. Eu vejo tudo.

Já ouvi declarações de amor sussurradas no banco do meio. Já vi mãos dadas no meio de uma turbulência, amizades a nascer entre desconhecidos e despedidas silenciosas no embarque. Já ouvi choro de crianças e gargalhadas de quem se reencontra no portão de chegada. Transporto emoções, muito mais pesadas do que as malas no porão.

Por fora, pareço apenas um tubo de metal com asas. Mas por dentro, sou palco de histórias. Cada voo é um novo capítulo de um livro que ainda não terminei de escrever.

Levo todos em segurança, confiante nos meus motores, nos meus sensores e, acima de tudo, na tripulação que me conhece como ninguém. Somos uma equipa. Todos os dias, descolo sem saber o que me espera, mas com a certeza de que, no final, terei cumprido o meu destino.

E quando aterro suavemente, com aquele som de pneus a beijar o asfalto e os passageiros a aplaudir (sim, isso ainda acontece), penso: mais uma missão cumprida. Mais uma história vivida. Mais um céu que atravessei.

Se eu, avião, pudesse falar, talvez não parasse mais.

Mas por agora, sigo em silêncio, vou preparar-me para nova viagem, até ao próximo voo.

quinta-feira, junho 19, 2025

BRUSSELS AIRLINES E A MATRÍCULA

LPPT - BRUSSELS AIRLINES - OO-SNO - A320

(Lisboa) O que significa o código “OO‑SNO”? É possível descodificar esse código e saber onde encontrar as listas oficiais de prefixos nacionais.

Uma das primeiras coisas que reparo é a matrícula, aquele conjunto de letras e números junto à cauda ou por baixo da asa ou nas portas do compartimento do trem de aterragem frontal. A matrícula, também chamada de aircraft registration ou simplesmente registration, é o identificador oficial do avião, emitido pelas autoridades de aviação. É um identificador único, usado tanto legalmente quanto em comunicações de controlo de tráfego aéreo.

Cada matrícula tem duas partes: o prefixo, identifica o país de registo, segundo padrões da ICAO e o código, sequência individual única, para cada aeronave. O número de série do fabricante (MSN) é outro identificador mas esse nunca muda, ao contrário da matrícula, que pode ser alterada se o avião mudar de país ou de companhia aérea.

Neste caso o prefixo da matrícula é o OO, é da Bélgica. Para saber o MSN, número de série do fabricante recorri a um sítio na Internet especializado, 3831. Uma curiosidade, voou pela primeira vez em março de 2009. O que eu estava a fazer em março de 2009? Estava a preparar-me para mudar de casa.
 
A matrícula de cada avião carrega muita informação, desde a origem nacional até o seu historial. Para nós, spotters, é um código que ajuda a contar histórias, a seguir o mesmo avião por vários aeroportos e a documentar momentos únicos no blogue. 

Referências:

terça-feira, junho 10, 2025

BOEING 787

AMERICAN AIRLINES - Boeing 787 - MSN 40620    N802AN


(Lisboa) O Boeing 787-8 Dreamliner (de matrícula N802AN), fotografado aqui em LPPT, voou pela primeira vez em fevereiro de 2015. Com janelas maiores do que a concorrência a Boeing dispensou o uso de cortinas, sendo a luminosidade que atravessa a janela controlada eletronicamente.

Parece que, para além do passageiro, a luminosidade pode ser controlada pela tripulação. É uma característica que não me agrada muito esta da luminosidade poder ser controlada pela tripulação.

 

sábado, junho 07, 2025

A330 900NEO

CS-TUC - LPPT - AEROPORTO DE LISBOA - TAP - A330 900 NEO

(Lisboa) Este é um dos Airbus A330 900neo da TAP. Lindo como todos os outros, confesso que são os meus favoritos, os A330. Tem o nome de Nuno Gonçalves (e matrícula CS-TUC) em homenagem ao pintor português do sec. XV. Foi o terceiro A330 900neo a chegar à companhia portuguesa e o primeiro a aterrar nos EUA.

Referências:

sábado, maio 31, 2025

EM DIRETO DOS AEROPORTOS

CS-TJN - NADIR AFONSO - A321 NEO - TAP AIR PORTUGAL - LPPT - LISBOA

(Lisboa) Há muitos YouTubers que fazem transmissões ao vivo diretamente dos aeroportos, mostrando movimentos, aterragens e descolagens dos aviões. Esse nicho é conhecido como plane spotting (observação de aviões), muitos desses canais conseguem atrair grandes audiências. Aqui está uma explicação clara do que eles ganham com isso e qual é o possível rendimento.

O que os YouTubers ganham com transmissões plane spotting

  • Rendimento com anúncios (AdSense):
O YouTube paga aos criadores uma parte da receita gerada por anúncios mostrados nos vídeos publicitários, durantes as transmissões em direto. Existem referenciais a circular por aí em relação a rendimentos mínimos por visualizações mas esta receita pode variar dependendo da localização do público e do envolvimento do mesmo.

  • Super Chats e Super Stickers (durante as transmissões em direto):
Os fãs do canal podem enviar dinheiro durante a transmissão como forma de apoio. 

  • Membros do canal (Clubes de Assinatura):
Os seguidores mais fiéis pagam mensalmente para ter acesso a benefícios exclusivos, como emojis personalizados e transmissões exclusivas.

  • Patrocínios:
Empresas podem patrocinar o canal.

  • Venda de produtos (o chamado merchandising):
Alguns criadores de conteúdos vendem camisetas, bonés, canecas e outros produtos relacionados à aviação e com a marca do canal.

Este é um tema que tem captado a minha atenção nos últimos tempos. Na imagem um A321 da TAP, com matrícula CS-TJN com o nome de Nadir Afonso. Nunca tinha publicado a imagem deste avião aqui no blogue.

 

domingo, março 30, 2025

AIR CANADA

LPMA - Airbus A330-343 - C-GHKW


(Lisboa) No dia em que se cumpre mais um aniversário da partida da primeira travessia aérea do Atlântico Sul, por Sacadura Cabral e Gago Coutinho, publico o Airbus A330 da Air Canada (C-GHKW) a aterrar, em Lisboa, no dia 15 de agosto de 2023.

LPMA - Airbus A330-343 - C-GHKW


terça-feira, agosto 15, 2023

DE LISBOA A SÃO FRANCISCO

CS-TUN - LPPT - LISBOA SÃO FRANCISCO


(Lisboa) Desde de junho de 2019 a TAP voa para a cidade de São Francisco, nos Estados Unidos. Este é o avião da TAP com matrícula CS-TUN, um Airbus A330-900neo, fabricado em 2019. Foi o escolhido para a viagem de hoje. Foi nomeado de D. Fuas Roupinho, um nobre e guerreiro, contemporâneo do primeiro rei de Portugal. São Francisco deve ser o destino mais longínquo e a rota com mais quilómetros da companhia atualmente mas não encontrei nenhuma fonte que o confirmasse. Uma pesquisa rápida no site da companhia indica que não voa todos os dias da semana para a esta cidade da Califórnia.

Referências:

(1) - https://www.cmjornal.pt/sociedade/detalhe/tap-ja-voa-sem-paragens-de-lisboa-para-sao-francisco

(2) - https://www.airfleets.net

CS-TUN - LPPT - LISBOA SÃO FRANCISCO