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quinta-feira, junho 16, 2022

SALESIANOS FUNCHAL

SALESIANOS FUNCHAL


(Lisboa) Não passa despercebido na paisagem do anfiteatro do Funchal, o edifício dos Salesianos. A escola mudou desde o tempo que lá andei, na primeira metade da década de noventa do século passado. Segundo (2) este edifício é de 1961.


Referências:

(1) - http://www.funchal.salesianos.pt/

(2) - https://www.salesianos.pt/noticias/salesianos-do-funchal-do-passado-do-presente-e-do-futuro/

terça-feira, outubro 27, 2020

SALESIANOS - GEOGRAFIA

(Lisboa) Passei a ter Geografia quando cheguei ao 7º ano. O 7º ano implicava uma mudança e também uma mudança de piso no edifício principal da Escola Salesiana, no Funchal. Entrávamos pelo rés do chão que não era bem um rés do chão mas na prática era. Na primeira metade dos anos noventa do século passado vínhamos da oração da manhã ou de um intervalo qualquer ao longo do dia. Subíamos até ao andar da Secretaria e da Cantina mas se não fosse hora de almoço, só de passagem, poque os pisos das salas de aula eram mais em cima, nos dois andares seguintes. No segundo andar ficavam as salas das turmas do terceiro ciclo, 7º, 8º e 9º anos ou também chamado de Unificado. No terceiro andar ficavam as salas do 5º e do 6º anos e no quarto andar, se a memória não me falha, a sala de música de um lado e do outro os quartos dos senhores padres que viviam na escola. Não tenho a certeza mas acho que também existiam quartos de dormir no terceiro andar do outro lado das escadas centrais. Parecia que este último andar, só com salas de janelas altas só era usado regularmente para as aulas de música. Havia muito espaço por aqui e muitas outras salas para além daquelas que usávamos. Havia também uma sala muito especial neste quarto piso: a sala dos computadores em que o Sr. Padre Vieira que nunca foi meu professor de matemática, nos levava a conhecer o admirável mundo novo dos computadores. Na altura eram essencialmente jogos. E eu adorava aquele mundo virtual. Mais tarde, cá em baixo na Escola Francisco Franco havia uma sala semelhante, a sala da internet. Voltando ao tema principal do texto, a disciplina de Geografia. Tive Geografia durante os três anos do Unificado. No 7º ano dado por uma professora jovem e alta cujo nome já não me lembro mas se as opções fossem dadas um teste de escolha múltipla estou convencido que acertava na resposta. Ela não dava muita confiança mas também não era autoritária, sabia gerir muito bem a turma. Nos dois últimos anos do ciclo, por um professor antigo oficial da marinha, mais velho, cujo nome era Pimenta de França, mais uma vez recorrendo-me da memória. O senhor professor tinha um ar austero e contava-nos as suas experiências ao redor do mundo nos navios onde trabalhou. Com a sua mão direita aberta batia no seu ombro esquerdo e assim ficava para mais uma explicação. Sabem, se souberem, aquela analogia do primeiro episódio da série Cosmos de Carl Sagan, em que é comparada a história do universo como se fosse um ano de 365 dias e em que o Homo Sapiens só aparece nos últimos instantes do último dia do ano? Foi ele, o Professor de Geografia que me contou pela primeira vez. A mim e a toda a turma. Só anos mais tarde vi a série Cosmos e redescobri essa memória. Na verdade li o livro antes de ver a série. É um daqueles professores que nos fica na memória. Ele ditava os apontamentos nas aulas juntamente com explicações à parte, com histórias e comentários sobre a actualidade. Ele detestava os concursos de televisão à noite como a Cornélia. Na Madeira dos primeiros anos da década de noventa do século passado só havia um canal de televisão aberto para toda a população, a RTP-Madeira. A RTP-Madeira na altura trazia um pouco do mundo para dentro de casa de cada um de nós. Hoje a RTP-Madeira leva-nos a casa o arquipélago e as ilhas porque existem muitos outros canais e vias para nos ligarem ao mundo. Existem talvez demasiados. A TV Cabo chegou em 1992 mas nem toda a gente tinha em casa esses canais. Começaram também a surgir as antenas parabólicas mas a Ilha não era muito focada pelos satélites que transmitiam televisão. Com antenas de 90 ou 120 cm não se apanhavam muitos canais. E porquê que ele ditava? Para que os alunos tivessem acesso às explicações correctas sobre a matéria. Creio que foram nessas aulas que comecei a me interessar pela Astronomia. Ele explicou antes de eu saber o que era, a Eclíptica. A definição que encontram no Dicionário da Priberam não é muito clara e não me parece que alguém que não saiba o que realmente é a Eclíptica perceba, da sua leitura. A Eclíptica é uma linha imaginária na esfera celeste, é a linha que o sol percorre, no céu, ao longo do ano. Foi assim que ele explicou e foi assim que eu percebi o que era sem saber praticamente mais nada de Astronomia e é essa a definição clara. Nos testes o Professor Pimenta de França exigia respostas iguais às que estavam nos apontamentos para as suas perguntas. Não que não existissem outras formas de responder mas porque o aluno assim, se tivesse dificuldade em encontrar uma outra forma de responder poderia se socorrer naquele texto sabendo que estava ali toda a informação necessária para se sair bem na prova. Não sei se um professor como ele teria ainda lugar no actual sistema de ensino, não sei se ainda existirão professores como ele no actual sistema de ensino. Na verdade eu já não conheço o sistema de ensino. As variáveis tecnológicas dos últimos anos vieram alterar a maneira como comunicamos entre nós, vieram trazer a ansiedade de estar sempre ligado e sempre a par do que está passar em cada momento. Somos todos produtores de conteúdos directa ou indirectamente, se não formos produtores apareceremos no conteúdo de alguém certamente. E como produtores de conteúdos estamos obviamente interessados em ver os nossos produtos consumidos por alguém, gostado por alguém, partilhado por alguém, e isso gera ansiedade. No final de um dia de aulas nos Salesianos arrumava as minhas canetas, cadernos, livros e lápis na mochila e descia acompanhado a Rochinha no autocarro 32, ou a pé. Cá em baixo, no centro do Funchal, despedia-me dos amigos depois de uma conversa animada sobre o que se tinha passado no dia ou na televisão no dia anterior e seguia para casa. Deixava de estar contatável até ao dia seguinte de manhã, na paragem do 32, bem cedo. Se tivesse em casa poderia receber uma chamada telefónica para o número fixo de telefone que servia todos quantos viviam na casa e tinham acesso ao aparelho. Hoje em dia estamos cheios de fios ligados a nós, fios imaginários que podem ou não pesar sobre os os nossos corpos, tem tudo a ver como lidamos com as ferramentas que temos ao nosso dispor. Muitas vezes até gostaríamos de estar menos ligados ao mundo em certas ocasiões e só não estamos porque pensamos que vamos perder algo de muito importante. Por outro lado a informação disponibilizada hoje num qualquer aparelho com ligação à Internet é muito mais do que aquela que tínhamos acesso na biblioteca da escola, muito mais que na biblioteca municipal. Nos Salesianos só tivemos biblioteca no meu 7º ano. Ficava longe e se estivesse a chover apanhávamos uma molha valente pois para chegar lá só mesmo pelo exterior dos edifícios. Era preciso sair do edifício central e caminhar até ao final do da primária, passar pelas oficinas de trabalhos manuais de madeiras e pela marcenaria, passar do lado exterior, com a clemência ou não da meteorologia. Como seria uma aula com o Professor Pimenta de França no ano de 2020? Seria uma experiência interessante possibilitada pela minha imaginação colhendo a informação que o estreito túnel do tempo ainda me permite obter e transportando esses dados para os tempos actuais. Creio que o Professor já não está vivo mas talvez todos os seus alunos da turma C ainda estejam.

segunda-feira, agosto 03, 2015

SALESIANOS FUNCHAL

SALESIANOS - FUNCHAL

(Lisboa) Foi há mais de 20 anos que pela última vez caminhei por esta escola que me deixou marcas. Mais de 20 anos passaram e a Escola mudou. Esta fotografia foi tirada em 2009. Vejo um edifício principal que não deve ter mudado muito mas o edifício da esquerda, conhecido, na altura em que passei pelos Salesianos do Funchal como o Edifício da Primária, esse sim é totalmente novo ou pelo menos bem diferente daquele que existia.

quinta-feira, outubro 02, 2008

CARTAS DOS LEITORES XXII

(Lisboa) Sobre os Salesianos.

Caro Ricardo,

realmente já não tem muito a ver com o que era na nossa altura (passei por lá de 81/82 a 85/86). Vi um anúncio no diário de um jantar de homenagem ao Pe. Vieira, mas infelizmente não tive oportunidade de ir.
Seria certamente um bom recordar de memórias.

Best wishes

Henrique Freitas





A geração da altura era diferente da de hoje mas ao mesmo tempo muito parecida. Eu acredito que mesmo com toda a evolução tecnológica a vida não mudou tanto assim. Na altura não tínhamos telemóveis mas não éramos necessariamente mais infelizes do que a geração de hoje. Não vou cometer a crueldade de dizer que éramos mais felizes que os adolescentes de hoje mas não trocaria os tempos de outrora pelos de hoje. A Madeira também mudou muito nos últimos vinte anos.

O que mudou não mudou só na geração adolescente, mudou em todas. Correm os dias onde o tempo não existe, o silêncio está extinto e a falsa competitividade mais não é do que uma manifestação das nossas frustrações.

Embora tenha muito boas recordações dos tempos em que frequentei os Salesianos do Funchal nunca aceitei facilmente o facto da Escola não ser mista. Acho importante não se separar os sexos, acho um crescimento mais saudável quando ambos os sexos partilham os mesmos espaços e direitos. Normalmente o discurso nostálgico desvaloriza o presente e hipervaloriza o passado. Neste caso, presto homenagem ao facto de hoje os Salesianos do Funchal serem uma escola mista.

Obrigado a todos os meus leitores.

domingo, setembro 28, 2008

MEMÓRIAS DE UM EX ALUNO DOS SALESIANOS FUNCHAL

(Lisboa) Hoje por ocasião da entrevista do Sr. Padre Vieira ao Diário de Notícias da Madeira, decidi acabar este texto, já um pouco esquecido, na parte de rascunhos no meu blogue. Não fui aluno de matemática do Sr. Padre Vieira mas lembro-me que todos os que o tiveram como professor o referenciavam com respeito. Tive aulas de matemática, do sétimo ao nono, com a professora Jeannette.

Passei pelos Salesianos do Funchal no início da década de noventa do século passado. Cruzei-me novamente com eles ontem quando visitava a sua página na Internet (www.esao.salesianos.pt). Na altura a escola era masculina. Hoje o ensino é misto. Vi nascer a biblioteca que então ficava numa divisão abandonada lá onde fica o 1º Ciclo, onde ficavam as criancinhas da primária.

As aulas preenchiam o dia inteiro e começavam de manhã após uma oração. A oração era, numa primeira fase dada em dois espaços, num ficava o Ciclo e na outra ficava o Unificado. Do Ciclo faziam parte os quinto e sexto anos.

A oração do Ciclo acontecia todos os dias no pequeno Teatro no rés do chão do edifício central. O Teatro tinha tinha duas filas de bancadas sendo que do lado esquerdo ficava o quinto ano e do lado direito o sexto. As turmas entravam por ordem isso significava que mais à frente ficavam as turmas As, depois as Bs e depois as Cs. As turmas C ficavam bem lá trás no teatro numa zona em que a distância entre a o banco e o tecto já era pouca. A oração do Unificado acontecia na Capela. A Capela tem mais espaço para acomodar os sétimo, oitavo e nonos anos. No meu último ano a horação já não era todos os dias, era em dias alternados para Ciclo e Unificado e aconteciam na Capela para ambos os agrupamentos. Segundas, Quartas e Sextas para uns e para outros às Terças e Quintas.

A escola lecciona os cursos desde a primária (1ª classe) até ao nono ano. As turmas A e B vinham da primária mas a turma C começava no quinto ano. Era a turma dos que vinham de fora. Eu fui duma dessas turmas C.


O BAR

O bar antigo abria só nos intervalos e não tem nada a ver com o que aparece nas fotos. Era também sala de jogos onde se podiam jogar matrecos, bilhar e ping pong. Na altura o que se vendia no bar era pão com manteiga, pão com fiambre e bebidas. Hoje já parece um bar normal de escola. Os empregados do bar eram alunos e era por isso que só podia abrir nos intervalos. Quando dava o toque já se sabia que os tipos do bar tinham de chegar primeiro por isso não adiantava estar muito apressado.


A PAPELARIA

Na altura a papelaria era administrada pelo Sr. Padre Giovanni e era um quartinho no rés-do -chão do edifício central. Vendiam-se cadernos, canetas, lápis, lapiseiras e outro material mas nada de livros escolares.


A CAPELA

Não parece ter mudado muito desde essa altura.


A SECRETARIA

Moderna com separadores de vidro.


AS SALAS DE AULA

As salas de aulas parecem modernizadas com novas cadeiras e mesas. No meu tempo existiam mesas e cadeiras de madeira. Os quadros eram de pedra e giz. Hoje já são de marcadores. Mais higiénicos. Lembro-me que os quadros de giz eram um problema para quem tinha alergia. Alguns professores pediam apagadores com esponja molhada com água numa taça. Assim o pó era menos. O quadro molhado significava mais tempo de espera até se poder escrever outra vez pois o giz molhado não escreve um boi. Havia um aluno destacado para limpar o quadro nessas condições já que o procedimento não poderia ser executado de qualquer maneira. O apagador não poderia pingar água para não molhar os giz que se encontravam na calha.


SALA DE INFORMÁTICA

Não existia quando fui aluno. Existia sim uma sala de computadores no último andar, no andar da sala de música, onde só se poderia ir com autorização do Sr. Padre Vieira que hoje é entrevistado no Diário de Notícias. Basicamente iamos lá jogar. Foi lá que comecei a jogar o Alley Cat, um jogo onde um gato preto salta de apartamento em apartamento e onde encontra várias provas que tem de superar para poder saltar para o nível seguinte.


A BIBLIOTECA

A biblioteca primeiro apareceu nos meus últimos anos de Salesianos. Situava-se lá longe no edifício abandonado, para lá do ringue de patinagem.


OS LABORATÓRIOS

Os laboratórios hoje parecem, pelas fotografias, modernizados.


A CANTINA

A Cantina mudou bastante pelo que pude observar das fotografias. O almoço era apontado para as 12h45m. Era essa a hora do toque. Seguia-se uma pequena oração e de seguida eram servidos os pratos à mesa de cada um. Cada mesa levava quatro a cinco pessoas. Os pratos eram servidos pelas cozinheiras mas essencialmente por alguns alunos voluntários que depois almoçavam mais fartamente e com outra variedade. Era essa a recompensa por ficar liberto mais tarde para as brincadeiras. Afinal de contas as aulas começavam às 14h15m e era preciso aproveitar cada momento do intervalo do almoço, o maior intervalo do dia. Na melhor das hipóteses ficávamos libertos à 1h. Quem saisse mais rápido apanhava os campos vazios e poderia ocupá-los à sua vontade e levar os amiguinhos para lá. As bolas e mochilas não iam para as mesas, iam para uns armários situados ao pé das portas.


O PÁTIO

O campo de futebol parece-me igual ao que era na altura em que passei pelos Salesianos do Funchal. Em alcatrão, uma queda era um grande sofrimento. Dentro do campo de futebol maior cabiam três campos de basquete na transversal. Era basquete que gostava mais de jogar nos intervalos.