quarta-feira, dezembro 31, 2003
Neste fim-de-semana espero uma goleada. De quem em quem é indiferente. Pode ser do clube dos detidos no clube dos betos ou ao contrário. Ao contrário do que seria de esperar de mim, um dragão assumido, o empate embora seja o mais lógico não alegra. A goleada dá a quem ganha a ilusão da invencibilidade e tira realismo. A quem perde desmoraliza.
Eu acho que ao FCP só interessa que haja goleada.
Eu acho que ao FCP só interessa que haja goleada.
sábado, dezembro 27, 2003
terça-feira, dezembro 23, 2003
segunda-feira, dezembro 22, 2003
FUNCHAL
Partida
Hora:15h51m.
Local: Clube Naval do Funchal.
Chegada
Hora:16h43m.
Local: Rua da Ponte Nova.
Distância entre o lcal de partida e de chegada (em linha recta):3,3Km.
Duração do percurso:52 minutos.
Velocidade absoluta:3,81Km/h
Observações: o percurso real não se aproxima de uma linha recta.
Partida
Hora:15h51m.
Local: Clube Naval do Funchal.
Chegada
Hora:16h43m.
Local: Rua da Ponte Nova.
Distância entre o lcal de partida e de chegada (em linha recta):3,3Km.
Duração do percurso:52 minutos.
Velocidade absoluta:3,81Km/h
Observações: o percurso real não se aproxima de uma linha recta.
sábado, dezembro 20, 2003
domingo, dezembro 14, 2003
sábado, dezembro 13, 2003
sexta-feira, dezembro 12, 2003
CALOR
Esta onda de calor que assola o nosso país (for the international readers: this blog is made in Portugal) está demais.
Tenho aulas em anfiteatros onde o ar condicionado não muda de Inverno para Verão. É sempre a mesma coisa o ano inteiro e ninguém mexe naquilo. O aquecimento nos transportes públicos só funciona com muita gente dentro e com tudo fechado. O aquecimento dentro das casas é uma torneira bem aberta de dinheiro porque as casas não têm capacidade de reter o calor.
Está tanto calor que até doi.
Esta onda de calor que assola o nosso país (for the international readers: this blog is made in Portugal) está demais.
Tenho aulas em anfiteatros onde o ar condicionado não muda de Inverno para Verão. É sempre a mesma coisa o ano inteiro e ninguém mexe naquilo. O aquecimento nos transportes públicos só funciona com muita gente dentro e com tudo fechado. O aquecimento dentro das casas é uma torneira bem aberta de dinheiro porque as casas não têm capacidade de reter o calor.
Está tanto calor que até doi.
quarta-feira, dezembro 10, 2003
DIÁRIO DE NOTÍCIAS NO SEU MELHOR
Ao abrir a página web do diário de notícias aparece uma caixa com a pergunta: Qual será a decisão de Jardim? E as opções de voto são : fica e sai. Abaixo da pergunta vem uma fotografia do Presidende do Governo da Madeira. É que podia ser o Luís Jardim a decidir sobre um freak qualquer no programa Ídolos ou outro jardim qualquer. Ao menos já sabemos quem é o Jardim.
Estava a pensar se a decisão dele me interessa. Interessa-me. Acho no entanto que as opções de voto não deviam ser só essas. Deviam ser: fica, sai e a terceira e última: fica e sai.
Ao abrir a página web do diário de notícias aparece uma caixa com a pergunta: Qual será a decisão de Jardim? E as opções de voto são : fica e sai. Abaixo da pergunta vem uma fotografia do Presidende do Governo da Madeira. É que podia ser o Luís Jardim a decidir sobre um freak qualquer no programa Ídolos ou outro jardim qualquer. Ao menos já sabemos quem é o Jardim.
Estava a pensar se a decisão dele me interessa. Interessa-me. Acho no entanto que as opções de voto não deviam ser só essas. Deviam ser: fica, sai e a terceira e última: fica e sai.
terça-feira, dezembro 09, 2003
VIVER NOS SUBÚRBIOS
Viver nos subúrbios pode ser uma experiência quase insuportável. É porque não é a distância que me perturba é a impossibilidade de a reduzir. É a impossibilidade de a atenuar. Não existem transportes decentes. Nos transportes públicos que existem é necessário compartilhar o mesmo espaço com quem não se lava. Somos tratados como gado.
Quem pode deixar de autocarro de certeza que deixa. De manhã as filas intermináveis que se formam são constituidas principalmente por carros ligeiros com uma ou duas pessoas lá dentro. Que disperdício energético se não quiserem pensar no tempo que se perde em tráfego.
Se o subúrbio for além de tudo um dormitório é juntar o desútil ao desagradável mas isso é outro assunto.
Mas Portugal é assim? Não, muitas coisas são assim porque há pouca vontade para se pensar.
Viver nos subúrbios pode ser uma experiência quase insuportável. É porque não é a distância que me perturba é a impossibilidade de a reduzir. É a impossibilidade de a atenuar. Não existem transportes decentes. Nos transportes públicos que existem é necessário compartilhar o mesmo espaço com quem não se lava. Somos tratados como gado.
Quem pode deixar de autocarro de certeza que deixa. De manhã as filas intermináveis que se formam são constituidas principalmente por carros ligeiros com uma ou duas pessoas lá dentro. Que disperdício energético se não quiserem pensar no tempo que se perde em tráfego.
Se o subúrbio for além de tudo um dormitório é juntar o desútil ao desagradável mas isso é outro assunto.
Mas Portugal é assim? Não, muitas coisas são assim porque há pouca vontade para se pensar.
MASSACRE NA AUSTRÁLIA
Tenho tido a oportunidade de correr num carro de F1 no circuito de Melbourne. Um circuito lindo situado perto de uma reserva natural protegida. Como queria ganhar a corrida tinha de me empenhar a sério mas também queria observar e disfrutar da paisagem. Estes dois objectivos são incompatíveis porque para se ganhar uma corrida é necessário ser rápido e quando se é rápido não se tem tempo para olhar para o lado.
A maneira como resolvi o problema foi genial porque ganhei a corrida e fiz uma corrida muito demorada. Eis como resolvi este problema.
É sempre bom fazer uma partida de F1. Todos juntos. Os motores a roncar cada vez mais alto até que todas as cinco luzes vermelhas se apagam e lá vamos nós a tentar ganhar o maior número de lugares possíveis aos nossos adversários. Até à primeira curva, até à segunda teve piada depois comecei a ficar para trás, talvez porque o carro estivesse pesado com muita gasolina. Os tipos da estratégia não me dizem nunca nada.
Sabendo que estava com um carro pesado demais empenhei-me a duzentos por cento e fiz um peão não sei bem onde e o carro parou enfim no asfalto, sem bater em nada. Continuei então mais determinado do que nunca até que me surgiu em frente todo o pelotão. Uns após os outros todos se renderam à minha superioridade e ainda guardo a recordação do carro do Eddie Irvine dividido a meio no meio da pista. Foi uma colisão cheia de energia para dividir aquilo em dois. Foram precisas três voltas para tirar toda a gente de prova. No fim fiz muitas mais voltas do que era preciso mas ganhei a corrida.
Tenho tido a oportunidade de correr num carro de F1 no circuito de Melbourne. Um circuito lindo situado perto de uma reserva natural protegida. Como queria ganhar a corrida tinha de me empenhar a sério mas também queria observar e disfrutar da paisagem. Estes dois objectivos são incompatíveis porque para se ganhar uma corrida é necessário ser rápido e quando se é rápido não se tem tempo para olhar para o lado.
A maneira como resolvi o problema foi genial porque ganhei a corrida e fiz uma corrida muito demorada. Eis como resolvi este problema.
É sempre bom fazer uma partida de F1. Todos juntos. Os motores a roncar cada vez mais alto até que todas as cinco luzes vermelhas se apagam e lá vamos nós a tentar ganhar o maior número de lugares possíveis aos nossos adversários. Até à primeira curva, até à segunda teve piada depois comecei a ficar para trás, talvez porque o carro estivesse pesado com muita gasolina. Os tipos da estratégia não me dizem nunca nada.
Sabendo que estava com um carro pesado demais empenhei-me a duzentos por cento e fiz um peão não sei bem onde e o carro parou enfim no asfalto, sem bater em nada. Continuei então mais determinado do que nunca até que me surgiu em frente todo o pelotão. Uns após os outros todos se renderam à minha superioridade e ainda guardo a recordação do carro do Eddie Irvine dividido a meio no meio da pista. Foi uma colisão cheia de energia para dividir aquilo em dois. Foram precisas três voltas para tirar toda a gente de prova. No fim fiz muitas mais voltas do que era preciso mas ganhei a corrida.
segunda-feira, dezembro 08, 2003
SOL
Já tenho saudades de sol ao fim de semana. De calor já compreendo que não é tempo dele já ou não é tempo dele ainda. Sei que não faz muito sentido ficar indisposto com os humores meteorológicos mas isso é racionalidade. De facto se houvesse um responsável por este tempo imutável eu já teria imagiado alguma alma caridosa a esmurrar o camarada.
Já tenho saudades de sol ao fim de semana. De calor já compreendo que não é tempo dele já ou não é tempo dele ainda. Sei que não faz muito sentido ficar indisposto com os humores meteorológicos mas isso é racionalidade. De facto se houvesse um responsável por este tempo imutável eu já teria imagiado alguma alma caridosa a esmurrar o camarada.
terça-feira, dezembro 02, 2003
DIÁRIO DE BORDO
Querido diário, estamos no sétimo ano de viagem espacial. A tripulação morreu toda e o primeiro sinal de loucura neste texto é o facto de ter usado o plural na primeira frase.
As actividades programadas vão sendo mais ou menos feitas mas a distância ao Planeta que me viu nascer é impossível de sentir. Nem as fotografias, nem os sons da Terra me fazem sentir calmo.
Há um ano e pouco que devia ter chegado ao destino mas alguma coisa se passou mal na viagem. Talvez o giroscópio da nave esteja a funcionar mal. Ou então alguma coisa no software de navegação não esteja correcta. Não consigo perceber o que se passou de errado. As análises que fiz das opções tomadas parecem-me agora e sempre me pareceram as mais adequadas. A distância enorme impede-me de voltar para trás porque sinto-me mais próximo do fim do que do início embora o apelo do início me seja muito tentador. Mas o tempo não anda para trás e é para a frente que tenho de olhar.
Talvez o facto de ser o único sobrevivente seja uma tortura e não garanto que tenha ainda saúde mental. As comunicações à distãncia não correm muito bem e ninguém na Base me parece compreender. É difícil de transmitir o que sinto da maneira que sinto pois sou só eu a sentir. Nunca como agora percebi o sentido da frase NO MAN IS AN ISLAND.
Um dia um homem chegou ao terraço de um arranha céus e mandou-se para o chão. No caminho para a morte ouviu um telefone a tocar e arrependeu-se do que fez. Alguém que alguma vez venha a ler esta mensagem consegue perceber porquê?
Embora tente manter a sanidade não acho que seja possível porque um ser humano é uma um ser relacional e não pode viver isolado.
As outras naves que partiram na mesma missão em que eu parti não mandam notícias. Acho que a Base me oculta o seu sucesso e me tenta dopar com a ignorãncia até eu desaparecer no infinito do espaço.
Quando imagino se as coisas podem ficar piores imagino que ficarem piores é tudo continuar igual.
Querido diário, estamos no sétimo ano de viagem espacial. A tripulação morreu toda e o primeiro sinal de loucura neste texto é o facto de ter usado o plural na primeira frase.
As actividades programadas vão sendo mais ou menos feitas mas a distância ao Planeta que me viu nascer é impossível de sentir. Nem as fotografias, nem os sons da Terra me fazem sentir calmo.
Há um ano e pouco que devia ter chegado ao destino mas alguma coisa se passou mal na viagem. Talvez o giroscópio da nave esteja a funcionar mal. Ou então alguma coisa no software de navegação não esteja correcta. Não consigo perceber o que se passou de errado. As análises que fiz das opções tomadas parecem-me agora e sempre me pareceram as mais adequadas. A distância enorme impede-me de voltar para trás porque sinto-me mais próximo do fim do que do início embora o apelo do início me seja muito tentador. Mas o tempo não anda para trás e é para a frente que tenho de olhar.
Talvez o facto de ser o único sobrevivente seja uma tortura e não garanto que tenha ainda saúde mental. As comunicações à distãncia não correm muito bem e ninguém na Base me parece compreender. É difícil de transmitir o que sinto da maneira que sinto pois sou só eu a sentir. Nunca como agora percebi o sentido da frase NO MAN IS AN ISLAND.
Um dia um homem chegou ao terraço de um arranha céus e mandou-se para o chão. No caminho para a morte ouviu um telefone a tocar e arrependeu-se do que fez. Alguém que alguma vez venha a ler esta mensagem consegue perceber porquê?
Embora tente manter a sanidade não acho que seja possível porque um ser humano é uma um ser relacional e não pode viver isolado.
As outras naves que partiram na mesma missão em que eu parti não mandam notícias. Acho que a Base me oculta o seu sucesso e me tenta dopar com a ignorãncia até eu desaparecer no infinito do espaço.
Quando imagino se as coisas podem ficar piores imagino que ficarem piores é tudo continuar igual.
segunda-feira, dezembro 01, 2003
FRIO
Está. Chuva, granizo. O céu está cinzento. O País está cinzento e nem o sorteio do Euro consegue animar as almas.
O Outono já passou e veio de vez o Inverno.
Por aqui, neste aborto subúrbio deserdado de cidade ainda se sente mais este cinzentismo. Lá ao longe o clarão de Lisboa descrimina ainda mais este isolamento.
Isto não é o Inferno. O Inferno é um lugar quente, vermelho, cheio de diabas a dançar tecno armadas com garfos e a beber alcool. Isto é a embaixada do Céu na Terra. Uma paz de cemitério por vezes insuportável. Aqui, o silêncio faz um barulho intolerável no meu ouvido. Tenho vontade de fugir daqui para fora para lugar nenhum.
Está. Chuva, granizo. O céu está cinzento. O País está cinzento e nem o sorteio do Euro consegue animar as almas.
O Outono já passou e veio de vez o Inverno.
Por aqui, neste aborto subúrbio deserdado de cidade ainda se sente mais este cinzentismo. Lá ao longe o clarão de Lisboa descrimina ainda mais este isolamento.
Isto não é o Inferno. O Inferno é um lugar quente, vermelho, cheio de diabas a dançar tecno armadas com garfos e a beber alcool. Isto é a embaixada do Céu na Terra. Uma paz de cemitério por vezes insuportável. Aqui, o silêncio faz um barulho intolerável no meu ouvido. Tenho vontade de fugir daqui para fora para lugar nenhum.
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